Por que fazer Pesquisa Eleitoral?

É muito comum a divulgação pela mídia de pesquisas de opinião em época de disputas eleitorais.

Os resultados fornecem ao público, em geral, um panorama da disputa para cargos eletivos, que alimentam as torcidas dos candidatos, de um lado, e, de outro, movem as estratégias dos partidos e candidaturas.

A verdade, no entanto, é que nem toda pesquisa eleitoral ganha as páginas dos jornais e sites, as ondas do rádio e a tela da TV. Na verdade, o público não tem conhecimento da maior parte dessas pesquisas, cujo teor é, basicamente, qualitativo e estratégico.

Como a pesquisa eleitoral pode ajudar no Planejamento de Marketing?

Por que fazer Pesquisa Eleitoral

As pessoas ouvem muito falar em marketing político, sobretudo em época de eleições.

Muitos podem entender que essa disciplina se restringe a preparar um candidato para que ele se apresente bem em público e se posicione de uma forma que agrade ao eleitorado, seja na forma de se vestir, seja na forma de se expressar, seja, inclusive, na escolha dos lugares que precisa visitar.

As pesquisas eleitorais de intenções de voto contribuem, sem dúvida alguma, para a estratégia de marketing da campanha.

Elas identificam os locais onde o candidato está mais forte ou mais fraco, sobre quais eleitores a campanha deve investir e sobre quais possíveis alianças podem ser feitas em favor do projeto político.

Essas pesquisas, no entanto, vão muito além das conhecidas pesquisas de intenção de voto. Em partidos com boa estrutura e perfil estratégico, elas são feitas periodicamente, como pesquisas de marketing comuns, cuja finalidade é conhecer o pensamento, a opinião, as necessidades, aspirações e desejos do público-alvo.

No marketing comum, o objetivo dessa pesquisa é desenvolver soluções, em forma de bens e serviços, que se enquadrem dentro das expectativas do consumidor. No caso do marketing político, isso é bem mais complexo, porque o partido, de um modo geral, tem compromissos programáticos, que muitas vezes vão na contramão das aspirações do eleitorado.

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Por isso, é muito importante para partidos e candidaturas descobrir nichos de eleitores com quem as propostas programáticas se alinhem, mas isso é só uma das possíveis estratégias. Em alguns casos, partidos podem, a partir da análise das pesquisas qualitativas, flexibilizar seus programas e até mesmo ideologias para que eles fiquem mais palatáveis ao eleitorado.

Em último caso, que certamente não é o ideal, alguns partidos apenas alinham o discurso à opinião do eleitorado.

O que se faz imprescindível nos dias atuais é não ignorar a importância e o poder estratégico das pesquisas e do marketing político, porque é através dessas disciplinas que o partido e os candidatos vão determinar seu posicionamento e suas estratégias para chegar aos objetivos.

Qual o futuro da Pesquisa Eleitoral

Durante o pleito presidencial norte-americano, os institutos de pesquisas eram unânimes em apontar a vitória de Hillary Clinton sobre Donald Trump, exceto os levantamentos feitos pelo Los Angeles Times, um jornal que, ironicamente, apoiava a candidata democrata.

O segredo do Los Angeles Times, segundo os responsáveis, foi ter feito suas pesquisas exclusivamente online, mas com uma abordagem crítica, identificando tendências, como a propensão do eleitorado branco por embarcar na candidatura de Trump, muito embora parte significativa desse perfil tivesse vergonha de declarar o voto.

O professor de Ciências Políticas da Universidade da Califórnia, Felipe Nunes, acredita que a tendência para o futuro é que as pesquisas se dediquem mais a descobrir do que a perguntar. É claro que tal convicção tem na internet um robusto respaldo, não só pelo aspecto de conferir anonimato, que faz com que as pessoas se sintam menos inibidas para opinar, mas pela quantidade gigantesca de informações valiosas geradas e oferecidas pelas mídias sociais.

De qualquer modo, é preciso que os institutos consigam vender para a sociedade a ideia de que as pesquisas não são profecias, mas apenas um relatório de tendências, que podem mudar rapidamente, sobretudo em função da velocidade com que se propaga a informação, e também a mentira, e a perda do controle da mesma pelos meios de comunicação tradicionais.

Uso de Tecnologia na Pesquisa Eleitoral

O caso do Los Angeles Times remete, inevitavelmente, à tendência de migração de várias atividades para o mundo digital. Não seria diferente com as pesquisas eleitorais.
Inclusive, o próprio marketing se serve abundantemente dos recursos tecnológicos e a quantidade de informações com qualidade na rede é significativa, produto de estudos feitos online.

Não faltam ferramentas para o alinhamento da amostra ao plano amostral, inclusive de forma mais eficiente, sem contar, evidentemente, com a agilidade do processo e a possibilidade de eliminar custos envolvidos na pesquisa. Um bom exemplo disso, todos já tiveram a oportunidade de presenciar essa peculiaridade, é que os softwares permitem que o dado inserido se transforme imediatamente em informação, por meio dos relatórios em tempo real.

10 dicas para o sucesso na Pesquisa Eleitoral

Evidentemente, a tecnologia não é tudo para se obter sucesso em uma pesquisa eleitoral. Aliás, sem a intermediação do entrevistador, os riscos de induzir o entrevistado ao erro são maiores. Por isso, há uma série de cuidados que devem ser tomados, que se aplicam tanto às pesquisas eleitorais quanto a qualquer pesquisa de opinião.

  1. Defina claramente todos os objetivos da pesquisa antes de partir para a elaboração.
  2. Use as perguntas que deseja ver respondidas para agrupar as perguntas por tema, dando sequência lógica ao questionário.
  3. Repita a pesquisa, com a mesma abordagem e as mesmas perguntas ao longo do tempo, como forma de captar as mudanças de opinião e tendências. Pesquisa alguma se faz uma única vez.
  4. Evite questionários extensos demais para não perder o interesse do entrevistado.
  5. Deixe as perguntas mais críticas e delicadas para o final, de modo a não inibir o entrevistado logo no começo da abordagem.
  6. Certifique-se de que cada pergunta é compreensível e clara.
  7. Use o enunciado das perguntas para explicar detalhadamente qualquer situação que possa provocar dúvida.
  8. Dê opções de respostas para avaliação que contenham palavras e não números. Em vez de dar nota de 1 a 5, elabore opções como “certamente votaria”, “jamais votaria”, “há uma remota possibilidade de votar”, etc.…
  9. Revise o questionário e certifique-se de que todas as perguntas são realmente necessárias. Elimine aquelas que não forem.
  10. Faça um teste antes de aplicar a pesquisa. Use um pequeno grupo para verificar se há dificuldades para responder às perguntas e se há elevada taxa de abandono.

Auditoria na Pesquisa Eleitoral

É muito importante ter a percepção de que a realização e a divulgação de uma pesquisa eleitoral é algo muito sério, que compromete o contratante e o instituto com a integridade do relatório apresentado.

A penalidade prevista para divulgação de pesquisas fraudulentas é detenção de seis meses a um ano e uma multa que pode chegar aos seis dígitos.

Qualquer partido envolvido no processo eleitoral pode requerer auditoria junto ao Tribunal Eleitoral acerca da metodologia empregada na pesquisa, o que pode levar à impugnação.

Como se valida uma Pesquisa Eleitoral

Desde 1 de janeiro de 2016, todas as pesquisas eleitorais destinadas ao conhecimento público devem ser registrada no Juízo Eleitoral, constando os seguintes dados:

  • Nome e CNPJ (ou CPF) do contratante;
  • Valor e origem dos recursos gastos na pesquisa;
  • Metodologia aplicada e período da realização;
  • Plano amostral e ponderação quanto a idade, sexo, nível econômico e grau de instrução do entrevistado;
  • Área de execução, nível de confiança e margem de erro, além da indicação da origem pública dos dados;
  • Cópia da nota fiscal fornecida ao contratante da pesquisa.

Esses dados estarão disponíveis para consulta pública no registro eletrônico do Juízo Eleitoral.

5 erros comuns da pesquisa eleitoral

Voltando aos erros apresentados pelas pesquisas, muitos deles são provocados por falhas no planejamento e na coleta dos dados.

Cinco erros muito comuns são:

  1. Amostragem não representativa do universo pesquisado
  2. Falta de clareza nas perguntas
  3. Treinamento inadequado da equipe de pesquisadores
  4. Desalinho entre as perguntas propostas e a forma como elas são feitas ao entrevistado e apresentadas à opinião pública.
  5. Análise comprometida pelo interesse do contratante

No Brasil, esses problemas tendem a se agravar, por conta da extensão territorial e diversidade populacional, particularmente, claro, quando se trata de eleições federais, mas a cidade de São Paulo, por exemplo, apresentou terríveis distorções entre os resultados das urnas e as pesquisas no pleito de 2016.

Embora esses problemas aconteçam nas pesquisas de intenção de voto, as pesquisas periódicas internas devem se preocupar ainda mais com eles, pois poderão levar o comando da campanha a errar na estratégica por erros de informação, caso não sejam feitas dentro do máximo rigor possível.

A importância da pesquisa eleitoral

Apesar de todos os problemas e desafios que cercam a pesquisa eleitoral, elas são um elemento essencial para a transparência do processo, principalmente quando são múltiplos os institutos de pesquisa e os estudos.

Mais uma vez, porém, é preciso lembrar da importância da pesquisa como ferramenta estratégica e não só como indicador de tendências eleitorais. É preciso conhecer o eleitor para poder cativá-lo e, para isso, é preciso fazer pesquisas sérias, com profissionalismo e rigor científico.

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